Senador Jaques Wagner

 
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19 de setembro de 2025 as 2:33 pm

“Sou contra redução de pena para mandantes de crime contra a democracia”, diz Wagner


Foto: Rafael Nunes

A proposta de redução de pena para os mandantes da tentativa de golpe de Estado não terá o apoio do senador Jaques Wagner (PT-BA). A ideia vem sendo ventilada como alternativa ao projeto original de anistia aos envolvidos nos crimes que culminaram no 8 de Janeiro, cuja urgência foi aprovada pela Câmara na última quarta-feira (17).

Em entrevista ao canal UOL News, Wagner considerou o chamado PL da Dosimetria uma vitória dos democratas sobre os defensores da anistia. Mas para ele essa reavaliação de penas deve se restringir aos que participaram do chamado crime de multidão.

“Parece que desistiram da ideia de anulação de pena e estão tentando dar uma pena menor, mas sem tirar a condenação. Eu sou contra essa redução para os mandantes. A redução para aqueles que foram a massa de manobra não me incomoda, mas aos mandantes que elaboraram um crime contra a democracia, na minha opinião, não deve ter redução de pena”, afirmou.

Para o senador, quem elaborou o plano, articulou sua execução e induziu a massa não merece perdão. “Acho um absurdo toda essa movimentação que os seguidores do ex-presidente, em especial do PL, estão fazendo no Congresso. Esse barulho viola, inclusive, o conceito de anistia. Está mais do que provado que houve um crime contra a democracia. O que eles querem, na verdade, é um perdão. Eu acho que não merecem perdão, e sim pagar a pena para não estimularem outros a atentarem contra o Estado Democrático de Direito novamente”, defendeu.

Segundo Wagner, a ideia de ajuste das penas surgiu desde o início do processo. “Mas na ideia inicial, nunca houve redução de pena para os mandantes, e sim para os participantes, aqueles que foram massa de manobra. Estão tentando reduzir a pena do ex-presidente com essa nova ideia. Eu sou contra a redução para os mandantes, para quem elaborou um crime contra a democracia”, reforçou.

Teatro rebolado
O senador criticou ainda que o apoio ao perdão dos condenados tira a máscara de políticos que tentam se apresentar como moderados. “Na política, é preciso ter jogo de cintura, mas não pode virar um teatro rebolado. Joga para qualquer lado para conseguir apoio. A pessoa tem que escolher um lado. Fico me perguntando se alguém como o governador de São Paulo topa botar qualquer fantasia, qualquer máscara, para agradar alguém que vai lhe transferir o espólio do fanatismo, que é preocupante e duvidoso, pode se apresentar como ponderado. Na minha opinião não tem credibilidade nenhuma”, apontou Wagner.

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