Senado sela acordo com União Europeia e escreve novo capítulo nas relações diplomáticas do Brasil

Foto: Agência Senado
Pacto comercial entre Mercosul e UE abrange 20% do PIB mundial e 700 milhões de consumidores
O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (4), o Acordo entre o Mercosul e a União Europeia, um marco histórico que encerra décadas de negociações e abre um novo capítulo nas relações comerciais e diplomáticas do Brasil com o bloco europeu. O pacto abrange cerca de 20% do PIB mundial e um mercado consumidor de aproximadamente 700 milhões de pessoas.
O senador Jaques Wagner comemorou a aprovação do acordo, que, para ele, representa mais um triunfo da diplomacia brasileira. “O governo do presidente Lula conseguiu destravar um impasse que atravessou gerações. Após 26 anos de negociações, o diálogo firme, a capacidade de construir consensos e uma visão estratégica recolocaram o Brasil no centro das grandes decisões internacionais”, disse.
O acordo será um dos maiores de livre comércio do mundo, e os efeitos vão além da troca de bens finais, impactando a cadeia de insumos e a estrutura produtiva do país. A expectativa é que a população brasileira tenha acesso a mais oportunidades de emprego e tecnologias europeias com custo reduzido. O intercâmbio tecnológico também é tido como importante para aumentar a competitividade e a inovação de diversos setores no Brasil.
“Os europeus só voltaram à mesa de negociações do acordo por reconhecerem o compromisso do governo brasileiro com a sustentabilidade, a preservação do meio ambiente, os direitos humanos, sociais e trabalhistas e os valores democráticos. Sem isso, a união não teria sido possível”, reconheceu Wagner.
Mesmo com a redução tarifária, o líder do governo fez questão de lembrar que existem mecanismos de defesa comercial para proteger a indústria brasileira caso um produto europeu entre no mercado nacional com preço excessivamente baixo. Se houver aumento súbito de volume importado, também podem ser acionadas cláusulas de salvaguarda para reequilibrar a concorrência.
Vale ressaltar ainda a recente aprovação da Lei da Reciprocidade, regulamentada nesta quinta-feira e que reforça a prerrogativa do Estado brasileiro de adotar contramedidas proporcionais sempre que houver práticas discriminatórias contra o país. Esses instrumentos garantem que a abertura comercial avance sem comprometer a defesa dos interesses nacionais e a soberania econômica.



