Senador Jaques Wagner

 
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2 de dezembro de 2020 as 10:13 am

A renovação que sai das urnas


Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

As eleições municipais atualizam o quadro político e, obviamente, suscitam uma série de análises. Para quem se apressa em tirar a consequência de 2022, acho precipitado. É bom lembrar que a disputa municipal corre em outro circuito.

Não dá para negar, no entanto, que o estilo do atual presidente foi derrotado. Prevaleceu no país uma disputa civilizada. E, obviamente, porque ele não teve nenhuma vitória expressiva. Ao contrário. Onde colocou o dedo, deu errado.

A fotografia que é de uma maior distribuição partidária de poder, especialmente entre o centro e a direita mais tradicional, embora não haja nenhuma sigla que tenha saído da eleição como o partido do futuro. Houve uma tendência de continuidade em muitos lugares, em razão da avaliação dos gestores e também como consequência do trabalho diante da pandemia. O PT, pela primeira vez desde 1985, quando Maria Luíza Fontenele foi eleita em Fortaleza, não vai governar nenhuma capital. Não é o que desejávamos, mas também o partido não foi enterrado, para a tristeza de alguns e para a alegria de outros. É lógico que no final quem conta a história é quem vence. Mas não teve ninguém que, isoladamente, tenha se consolidado.

Uma notícia muito alvissareira foi a renovação geracional, especialmente na esquerda. As candidaturas de Guilherme Boulos, em São Paulo, Manuela D’Ávila, em Porto Alegre, e Marília Arraes e João Campos, em Recife, representam um bem-vindo arejamento de quadros políticos nessa eleição, que se consolidam como opções viáveis para outros projetos.

Considero como elemento fundamental que esta experiência eleitoral ajuda o nosso campo a evoluir rumo à construção de uma frente progressista, unida e forte para o desafio de derrotar o projeto de retrocessos e ódio que governa o Brasil. Somando nomes, programas e experiências, temos a capacidade de concretizar um campo bastante forte para 2022.

Creio que este é o caminho sólido para oferecermos ao país uma nova perspectiva, capaz de superar esse momento de grandes dificuldades, oferecendo não só novas alianças, mas novos conteúdos. Um caminho capaz de embalar sonhos e a esperança de um país mais solidário, que agregue desenvolvimento econômico, social e ambiental. Parabéns para a democracia, parabéns para quem ganhou. E quem perdeu, se prepare para a próxima.

 

Jaques Wagner
Senador da República (PT-BA)
Artigo publicado no jornal O Povo, em 02/12/20

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