Wagner Senador

 
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13 de novembro de 2019 as 11:59 am

A liberdade que concilia


O STF acaba de resgatar o texto constitucional e garantir que nenhuma pessoa pode ser presa antes de se esgotarem todas as possibilidades de recursos. Como democrata, comemoro a decisão, bem como a tão esperada libertação do ex-presidente Lula, após 580 dias de uma prisão injusta, a partir de um processo de condenação viciado, do início ao fim.

A liberdade de Lula recoloca no cenário a principal liderança popular do país e o maior conciliador da nossa história recente. Por mais que alguns tentem criar um clima de aprofundamento da polarização e para além das primeiras palavras ditas por quem experimentou o isolamento de uma solitária por tanto tempo, é importante lembrarmos do papel que Lula sempre cumpriu, como líder sindical e, principalmente, como Presidente da República. Cito, de forma especial, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que tive a honra de ser um dos coordenadores. Criado em 2003, o Conselhão foi a instância que reuniu trabalhadores, empresários, sindicalistas, movimentos sociais e toda a diversidade produtiva do Brasil, espaço fundamental para a construção coletiva de propostas que resultaram num período de crescimento, geração de empregos e redução das desigualdades.

Nestes tempos de tanto obscurantismo e de flerte com o autoritarismo por parte dos atuais governantes, a presença de Lula nas articulações pelo país é ainda mais valiosa. Ele terá a oportunidade de conhecer de perto experiências bem-sucedidas, como a do trabalho coletivo realizado pelo Consórcio do Nordeste. Lançado este ano, reúne os governadores dos nove estados da região e já começa a oferecer resultados. A primeira licitação conjunta vai gerar uma economia de 30% na compra de medicamentos, custando R$ 48 milhões a menos aos cofres públicos dos governos estaduais, todos em situação financeira difícil. Além disso, trará um grande benefício para a população, que terá acesso a medicamentos mais em conta.

Esse é só um dos resultados de quando se faz política a partir da conciliação e do interesse comum, como Lula ensina e pratica. Por mais que tentem atribuir a ele uma imagem de intolerância, radicalismo e rompimentos, são os que o atacam que assim agem. Ele atua com diálogo e capacidade de construir acordos, sempre bem-vindos, e urgentes no atual cenário do Brasil.

 

Publicado no jornal O Povo, do Ceará, em 13/11/2019.

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